A operação da Polícia Federal que teve como alvo a deputada federal Helena da Asatur (MDB-RR) nesta semana trouxe à tona a prática de uso de clubes de futebol como meio de promoção pessoal. Investigada por suspeita de compra de votos, a parlamentar já vinha sendo questionada por vincular sua imagem institucional às camisas e redes sociais de times locais, patrocinados por empresas de sua família.
Durante o Campeonato Roraimense de 2024, o nome “Helena Deputada Federal” foi amplamente exposto nos uniformes do Grêmio Atlético Sampaio (GAS) e do Atlético Roraima. As marcas Asatur e Voare, ambas pertencentes à família da deputada, são as responsáveis pelo patrocínio.
De acordo com especialistas, o caso pode configurar abuso de poder econômico.
“A diferença entre promover uma empresa e um agente político é essencial. Quando o nome do parlamentar é usado como marca, isso ultrapassa o limite legal”, explica Guilherme Barcelos, doutor em Direito Constitucional.
Helena afirma que sua associação aos clubes tem caráter simbólico, por ser considerada “madrinha das equipes”. Ainda assim, nas redes sociais, os clubes fazem referência direta à deputada como patrocinadora.
A prática foi descontinuada após a imprensa noticiar o caso, mas o padrão de exposição permanece: atualmente, o Atlético Roraima estampa os nomes de outros políticos com cargos ou pré-candidaturas.
A relação da deputada com o futebol local é antiga e próxima da estrutura dirigente. O GAS, bicampeão estadual, ganhou relevância nos últimos dois anos com o apoio da parlamentar e de seu marido, Renildo Lima. Ambos também contribuíram para o patrocínio do próprio campeonato estadual, o que rendeu homenagens a Helena da Federação Roraimense, presidida por Zeca Xaud, pai de Samir Xaud — presidente da CBF e um dos alvos da operação da PF.
Com informações de O Globo