A Comunidade Sikamabiu, no Baixo Mucajaí, em Roraima, recebeu nesta segunda-feira (2) a primeira unidade demonstrativa de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami. O local abriga cerca de 30 famílias, com quase 400 indígenas, e deve ser o modelo para outras comunidades do território.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) afirmou que o objetivo do projeto é garantir acesso a alimentos saudáveis e tradicionais, além de recuperar áreas degradadas pelo garimpo ilegal. O plano prevê a instalação de oito unidades em diferentes pontos da Terra Yanomami ainda neste ano.
A unidade contará com aviário para cem galinhas rústicas, viveiro de mudas nativas com capacidade para duas mil plantas, tanque de compostagem, roças para mandioca, batata e arroz, além de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e tanque de piscicultura com 440 m². Os SAFs devem ajudar a restaurar áreas abertas pelo garimpo e ampliar o plantio de espécies nativas.
A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Roraima Rosemary Vilaça, responsável pelo projeto, afirmou que a ação representa um marco no território.
“Onde já corremos o risco de levar tiro de garimpeiro, levamos estrutura e ferramentas para a conquista da soberania alimentar”, disse.
A Embrapa informou que outras 11 comunidades já manifestaram interesse em receber o projeto. A Terra Indígena Yanomami possui 9,6 milhões de hectares, sendo a maior do país, e abriga cerca de 31 mil indígenas.
Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) mostram que o garimpo ativo na TI Yanomami caiu de 4.570 hectares, em 2024, para 56,13 hectares no fim de 2025, uma redução de 98,77%.
Com informações do Correio Braziliense



