{"id":4416,"date":"2024-07-22T09:26:19","date_gmt":"2024-07-22T13:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/?p=4416"},"modified":"2024-07-22T09:26:20","modified_gmt":"2024-07-22T13:26:20","slug":"migrantes-e-trabalhadores-relatam-violencia-crime-e-medo-na-operacao-acolhida-em-roraima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/migrantes-e-trabalhadores-relatam-violencia-crime-e-medo-na-operacao-acolhida-em-roraima\/","title":{"rendered":"Migrantes e trabalhadores relatam viol\u00eancia, crime e medo na Opera\u00e7\u00e3o Acolhida em Roraima"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"169\" height=\"42\" src=\"https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/selonovo-agencia-publica-1.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-4316\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Por Rafael Cust\u00f3dio<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crime organizado, viol\u00eancia sexual e de g\u00eanero e medo constante: os muros que cercam os abrigos onde vivem venezuelanos que se refugiaram no Brasil guardam tamb\u00e9m a inseguran\u00e7a pela qual passa essa popula\u00e7\u00e3o. Na primeira reportagem da s\u00e9rie Segredos da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, a Ag\u00eancia P\u00fablica traz den\u00fancias de migrantes e trabalhadores humanit\u00e1rios que levam fam\u00edlias inteiras a preferir estar nas ruas de Boa Vista a viver dentro dos espa\u00e7os de acolhimento. A reportagem esteve no Estado e visitou os espa\u00e7os da opera\u00e7\u00e3o em junho deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi a crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica da Venezuela que for\u00e7ou a popula\u00e7\u00e3o de l\u00e1 a migrar massivamente para outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Roraima, estado brasileiro na fronteira, tornou-se a porta de entrada de quem buscava por ref\u00fagio ou apenas trabalho no Brasil. A estimativa \u00e9 que mais de um milh\u00e3o de venezuelanos entraram no Brasil desde 2017, quando a crise migrat\u00f3ria teve in\u00edcio, segundo o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resposta, o governo brasileiro montou uma a\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em abril de 2018 chamada de Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, em parceria com a Ag\u00eancia ONU para Refugiados (Acnur), Ex\u00e9rcito Brasileiro, Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM) e outras cem organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, segundo as den\u00fancias ouvidas pela reportagem, os abrigos se tornaram locais de amea\u00e7a e viol\u00eancia para os refugiados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Com medo, fam\u00edlias escolhem as ruas no lugar dos abrigos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amea\u00e7ada de morte dentro do Rondon 1, o maior e mais numeroso abrigo da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, uma mulher buscou ajuda da ent\u00e3o trabalhadora humanit\u00e1ria Luana Pedroso (fict\u00edcio), de 31 anos, para que n\u00e3o fosse executada pelo tribunal do crime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu tive que tomar uma decis\u00e3o, por minha conta e risco: dei um jeito de conversar com o chefe [da organiza\u00e7\u00e3o criminosa] e de dizer que a situa\u00e7\u00e3o era uma mentira [para salvar a v\u00edtima da morte]\u201d, disse ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o foi tomada ap\u00f3s a ex-trabalhadora humanit\u00e1ria ter avaliado que, caso pedisse ajuda ao Ex\u00e9rcito, respons\u00e1vel por garantir a seguran\u00e7a dos abrigos, poderia deixar a v\u00edtima ainda mais exposta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNos Rondons [abrigos da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida], est\u00e3o acontecendo coisas tr\u00e1gicas. T\u00eam ocorrido viola\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as\u201d, disse Luiz Perez (fict\u00edcio), venezuelano de 50 anos que opta por passar o dia caminhando pelas ruas de Boa Vista, junto da esposa, de 40 anos, e dos filhos de 7 e 10 anos. Eles preferem ficar nas ruas a viver dentro de um dos abrigos montados para a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perez e a fam\u00edlia deixaram o estado de Anzo\u00e1tegui, na zona costeira da Venezuela, com o intuito de recome\u00e7ar a vida no Brasil. Para chegar \u00e0 cidade roraimense de Pacaraima, na fronteira, a fam\u00edlia contou com caronas nas estradas e longas caminhadas para percorrer pouco mais de mil quil\u00f4metros em quatro dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles s\u00e3o parte das 680 pessoas que dormem no Posto de Recep\u00e7\u00e3o e Apoio (PRA), segundo dados da OIM. O local abriga pessoas que est\u00e3o sem um teto para que possam utilizar as camas, entre 17h e 6h, receber as tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias e tomar banho. A estimativa \u00e9 que outras 200 pessoas venezuelanas vivam integralmente nas ruas, segundo dados compilados pela organiza\u00e7\u00e3o entre 27 e 31 de maio de 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preocupa\u00e7\u00e3o de Perez \u00e9 compartilhada por outros venezuelanos que optaram por tentar reconstruir a vida no Brasil. Carlos Barbuena, 40 anos, disse que prefere dormir nas ruas da capital de Roraima com a filha de 2 meses e a esposa a ficar nos abrigos, por causa da inseguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 perigoso [morar nos abrigos], por causa do crime [organizado] que tem l\u00e1\u201d, disse o patriarca \u00e0 P\u00fablica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"576\" src=\"https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Abrigo-Rondon-1-Foto-Reproducao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4419\" srcset=\"https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Abrigo-Rondon-1-Foto-Reproducao.jpg 768w, https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Abrigo-Rondon-1-Foto-Reproducao-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rondon 1, o maior e mais numeroso abrigo da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida &#8211; Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio de nota, como forma de resposta \u00e0s den\u00fancias apontadas na reportagem, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome (MDS) disse que \u201ca For\u00e7a-Tarefa Log\u00edstica Humanit\u00e1ria atua vigiando e monitorando os ambientes e estruturas da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida com o objetivo de dissuadir e identificar eventuais amea\u00e7as e acionando com tempestividade as autoridades de seguran\u00e7a p\u00fablica competentes conforme cada caso\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pasta destacou, tamb\u00e9m, que \u201cs\u00e3o empregados efetivos militares, al\u00e9m da contrata\u00e7\u00e3o de empresas prestadoras do servi\u00e7o de vigil\u00e2ncia, que, diuturnamente, realizam a guarda dos abrigos e rondas no interior do per\u00edmetro, a\u00e7\u00f5es essas complementadas pela realiza\u00e7\u00e3o de frequentes e inopinadas inspe\u00e7\u00f5es e, ainda, pelo uso de sistema de c\u00e2meras de monitoramento e de barreiras f\u00edsicas, como concertinas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Acnur disse que n\u00e3o comenta \u201ccasos individuais de afronta aos direitos das pessoas sob o nosso mandato\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fac\u00e7\u00f5es atuam nos abrigos, denunciam ex-trabalhadores&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUma vez, um dos abrigos amanheceu com os mandamentos do PCC pichados em uma das passarelas\u201d, disse a ex-trabalhadora humanit\u00e1ria quando questionada sobre a presen\u00e7a de organiza\u00e7\u00f5es criminosas dentro dos abrigos da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida. O caso citado por ela ocorreu em 2022, no abrigo Rondon 1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia em que a picha\u00e7\u00e3o foi encontrada, a ex-trabalhadora humanit\u00e1ria contou que o Ex\u00e9rcito e a Acnur trataram de apagar os mandamentos pichados, mas que n\u00e3o houve nenhuma resposta a mais das institui\u00e7\u00f5es sobre o epis\u00f3dio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAlgumas pessoas da popula\u00e7\u00e3o [venezuelana que vivia no abrigo] chegaram a ver, mas [\u2026] foi s\u00f3 mais um marco do que era a situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a constante no abrigo e as pessoas falarem: \u2018Meu Deus, realmente eles est\u00e3o aqui [\u2026] estou com medo de sair da minha unidade habitacional\u2019\u201d, contou ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Opera\u00e7\u00e3o Acolhida disse \u00e0 P\u00fablica, por meio de nota, que \u201ca referida picha\u00e7\u00e3o consistiu em apenas um incidente isolado e que n\u00e3o mais se repetiu, tendo sido realizada por um grupo de migrantes, menores de idade, com o objetivo de disseminar boatos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda de acordo com a ex-trabalhadora, a popula\u00e7\u00e3o venezuelana abrigada chama as organiza\u00e7\u00f5es criminosas que atuam dentro dos espa\u00e7os de acolhimento de \u201csindicatos\u201d. \u201cA gente tinha ci\u00eancia de que atuava ali [tamb\u00e9m] era o Trem de Aragua, [a maior fac\u00e7\u00e3o criminosa da Venezuela] inclusive, informa\u00e7\u00e3o compartilhada com a intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito [Brasileiro]\u201d, contou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA origem do nome \u00e9 que os grupos criminosos pegaram o controle dos sindicatos, no in\u00edcio\u201d, explicou o professor da Universidade Central da Venezuela Roberto Brice\u00f1o Leon, de 73 anos. Ainda de acordo com o professor, a popula\u00e7\u00e3o venezuelana tamb\u00e9m pode descrever o crime organizado como \u201cpran\u201d \u2013 abrevia\u00e7\u00e3o de pranato, como s\u00e3o chamadas fac\u00e7\u00f5es criminosas venezuelanas \u2013 e \u201ctrem\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu j\u00e1 vi pessoas que moravam na regi\u00e3o da rodovi\u00e1ria que foram decapitadas, que tiveram o bra\u00e7o cortado, tiveram a perna cortada, porque ali tinha uma presen\u00e7a de fac\u00e7\u00e3o venezuelana\u201d, disse o ex-trabalhador humanit\u00e1rio F\u00e1bio Cardoso (fict\u00edcio), de 40 anos, que deixou a OIM h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo menos quatro pessoas foram encontradas mortas pr\u00f3ximo \u00e0 Rodovi\u00e1ria Internacional de Boa Vista, em maio de 2022. Todas tinham sinais de viol\u00eancia brutal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das v\u00edtimas \u00e9 Bryan Jos\u00e9 de Jesus Hernandez, de 30 anos, que foi encontrado morto e esquartejado pr\u00f3ximo a um dos abrigos nas redondezas da rodovi\u00e1ria. Quatro homens foram denunciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de Roraima (MPRR), e a suspeita \u00e9 que eles integrem a fac\u00e7\u00e3o criminosa venezuelana Trem de Aragua, conforme reportagem publicada pela P\u00fablica em maio deste ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora M\u00e1rcia Maria, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), cita que o crime organizado se aproveitou da crise pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social da Venezuela para entrar nos abrigos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cE mesmo o Ex\u00e9rcito estando dentro dos abrigos, j\u00e1 havia v\u00e1rias den\u00fancias de pessoas ligadas principalmente \u00e0 Familia Podrida [outra organiza\u00e7\u00e3o criminosa da Venezuela]\u201d, pontuou a docente. \u201cEnt\u00e3o, se vende muito essa ideia de que a presen\u00e7a do Ex\u00e9rcito garante a prote\u00e7\u00e3o, mas no fundo n\u00e3o \u00e9 bem assim\u201d, completou.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"576\" src=\"https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Operacao-Acolhida-Foto-CNM.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4420\" srcset=\"https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Operacao-Acolhida-Foto-CNM.jpg 768w, https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Operacao-Acolhida-Foto-CNM-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Opera\u00e7\u00e3o Acolhida se iniciou em abril de 2018  &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/CNM<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro caso denunciado por Luana Pedroso \u00e9 o de um homem, suspeito de chefiar um grupo de traficantes, que todas as noites entrava em um dos abrigos para fugir de a\u00e7\u00f5es policiais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cJ\u00e1 teve casos de ter encontrado um grupo de pessoas tentando entrar com muni\u00e7\u00e3o dentro do abrigo, pessoas usando armas dentro do abrigo, era um ponto de venda tamb\u00e9m de drogas\u201d, contou Pedroso sobre outra experi\u00eancia presenciada dentro do Rondon 1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio de nota, o Acnur respondeu que \u201cn\u00e3o lida com casos de grupos paralelos de poder, sendo este um assunto de seguran\u00e7a p\u00fablica\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAt\u00e9 o presente momento, em pouco mais de seis anos de Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, n\u00e3o houve registro de quaisquer ind\u00edcios da atua\u00e7\u00e3o de fac\u00e7\u00f5es criminosas no interior dos abrigos. Cabe ressaltar que o combate \u00e0s a\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es criminosas compete prec\u00edpua e privativamente \u00e0s institui\u00e7\u00f5es do sistema de Justi\u00e7a e dos \u00f3rg\u00e3os do sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica\u201d, disse a assessoria de comunica\u00e7\u00e3o social da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mulheres relatam medo de viol\u00eancia sexual e ass\u00e9dio&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o, seguro n\u00e3o \u00e9\u201d, respondeu Ana Miranda (nome fict\u00edcio), de 37 anos, quando questionada sobre a seguran\u00e7a do Posto de Recep\u00e7\u00e3o e Apoio (PRA) para as mulheres que l\u00e1 se abrigam. \u201cPara que nos sintamos seguras, precisamos estar em quatro [mulheres para transitar pelo espa\u00e7o]\u201d, completou ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miranda estava sentada ao lado do marido e da filha, de 17 anos, na porta do PRA, com duas malas, quando foram abordados pela reportagem da P\u00fablica. Eles aguardavam a diminui\u00e7\u00e3o da fila de entrada no posto de acolhimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A entrada \u00e9 permitida ap\u00f3s as 17h e a sa\u00edda, a partir das 5h. No espa\u00e7o, em Boa Vista, o caf\u00e9 da manh\u00e3 e almo\u00e7o s\u00e3o garantidos pela Funda\u00e7\u00e3o C\u00e1ritas Brasileira, vinculada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Em m\u00e9dia, s\u00e3o servidas mil refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias em cada turno. O jantar fica por conta do Ex\u00e9rcito Brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem administra o PRA \u00e9 a OIM. A ideia era que o espa\u00e7o funcionasse como um local de acolhimento provis\u00f3rio. Contudo, com a constante procura de abrigo por fam\u00edlias inteiras, com o tempo a organiza\u00e7\u00e3o administradora permitiu que fossem estabelecidas camas fixas aos venezuelanos que possu\u00edam cadastro.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Miranda, o marido dela passou diversas noites sem dormir, para que pudesse proteger ela e a filha, de 17 anos, de viol\u00eancias sexuais que pudessem ocorrer dentro do PRA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEle [marido] n\u00e3o dormia, cuidando tanto dela [filha] como de mim\u201d, contou a venezuelana. Ainda de acordo com Miranda, \u201chavia muitas pessoas andando e transitando\u201d pelo PRA que n\u00e3o eram militares, e sim venezuelanos abrigados, para seguran\u00e7a do espa\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Roberto Gonz\u00e1lez (fict\u00edcio), de 49 anos, marido de Miranda, disse que sente falta de uma ronda dos militares dentro dos abrigos enquanto as pessoas dormem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA inten\u00e7\u00e3o de dizer isso \u00e9 que as verdadeiras autoridades t\u00eam que estar atentas. Porque h\u00e1 muitos que, de certa forma, agem como ovelhas e n\u00e3o o s\u00e3o\u201d, disse ele, ao se desculpar por interromper a esposa, enquanto ela dizia que outros venezuelanos fazem as rondas para garantir a seguran\u00e7a do espa\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe de comunica\u00e7\u00e3o social da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida respondeu que \u201cas atividades de ronda nos abrigos\/alojamentos s\u00e3o realizadas ao longo do dia e da noite, diariamente, por militares e vigilantes, conforme as peculiaridades de cada uma dessas estruturas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 um ambiente em que acontece de tudo, de viol\u00eancia sexual, de corte por faca, briga e tudo. Essa \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que essa popula\u00e7\u00e3o do PRA vive\u201d, contou F\u00e1bio Cardoso, ex-trabalhador humanit\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"576\" src=\"https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Populacao-imigrante-teme-os-abrigos-da-Operacao-Acolhida-Foto-Rafael-Custodio.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4421\" srcset=\"https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Populacao-imigrante-teme-os-abrigos-da-Operacao-Acolhida-Foto-Rafael-Custodio.jpg 768w, https:\/\/fatorrnoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Populacao-imigrante-teme-os-abrigos-da-Operacao-Acolhida-Foto-Rafael-Custodio-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Popula\u00e7\u00e3o imigrante teme abrigos da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida &#8211; Foto: Rafael Cust\u00f3dio\/Ag\u00eancia P\u00fablica<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele ainda citou que \u201cos casos de abuso sexual, a pr\u00f3pria Opera\u00e7\u00e3o Acolhida fazia de tudo para esconder o que estava acontecendo. Ent\u00e3o, a gente, quando sabia, n\u00e3o podia nem tocar no assunto, porque sen\u00e3o iam chamar a nossa aten\u00e7\u00e3o e estragar com a imagem da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa prote\u00e7\u00e3o no interior dos abrigos nunca foi feita. Talvez, durante o dia, um pouco de presen\u00e7a ali\u201d, criticou M\u00e1rcia Maria, da UFRR. A cr\u00edtica \u00e9 apontada tamb\u00e9m por Pedroso, durante o seu tempo de atua\u00e7\u00e3o na Opera\u00e7\u00e3o Acolhida: \u201cA gente tinha, por exemplo, um abrigo de popula\u00e7\u00e3o de 2,1 mil pessoas [o Rondon 1] mais ou menos; no per\u00edodo noturno, ficava um militar de plant\u00e3o, no m\u00e1ximo dois\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sofia Cavalcanti Zanforlin, professora da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) e integrante de um grupo de pesquisadoras sobre a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, avaliou que \u201cos abrigos n\u00e3o conferem dignidade\u201d, pois \u201ca primeira coisa que as pessoas perdem, em fam\u00edlia ou sozinhas, \u00e9 o direito \u00e0 privacidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c[As fam\u00edlias] continuam vulner\u00e1veis a diversos tipos de viol\u00eancia mesmo dentro dos abrigos, como foi documentado pela pesquisa a partir de relatos tanto de migrantes que haviam passado pelo abrigo como por trabalhadores humanit\u00e1rios que atuavam nos abrigos e conversaram com a pesquisa em condi\u00e7\u00e3o de sigilo\u201d, disse Zanforlin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parte do que motivou o estudo das pesquisadoras da UFPE foi o processo de escuta das mulheres venezuelanas ind\u00edgenas, da etnia Warao, levadas para Para\u00edba e Pernambuco, que relataram as experi\u00eancias de viol\u00eancia de g\u00eanero dentro dos abrigos da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida em Boa Vista e Pacaraima.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs relatos de praticamente 100% das mulheres Warao com que convivemos entre Pernambuco e Para\u00edba de que sofreram algum tipo de viol\u00eancia sexual e de g\u00eanero \u2013 no m\u00ednimo ass\u00e9dio \u2013 em sua passagem pela OPA [Opera\u00e7\u00e3o Acolhida], em Pacaraima, Boa Vista ou Manaus, alimentaram essa pergunta pra realiza\u00e7\u00e3o de trabalho de campo na fronteira Norte\u201d, disse a pesquisadora Ana Carolina Gon\u00e7alves Leite.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00faltimo box do banheiro feminino para banhos no PRA, as pe\u00e7as da fechadura foram retiradas por homens, acreditam as mulheres venezuelanas que o&nbsp;utilizam. Miranda contou que ela e a filha evitam usar, pois t\u00eam medo de que sejam espionadas pelas frestas. \u201c[Tamb\u00e9m] na parte do sanit\u00e1rio, h\u00e1 uma fresta que \u00e9 poss\u00edvel olhar do banheiro masculino para o feminino\u201d, contou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Miranda, ela havia colocado pedras de sab\u00e3o para tapar as aberturas do banheiro, mas, assim que outra mulher ocupou o box, j\u00e1 haviam tirado. \u201cComo n\u00f3s [ela e a filha] sabemos que esse banheiro tem esse problema, sempre avisamos \u00e0s outras mulheres para que n\u00e3o o usem\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miranda afirmou que aguarda uma reuni\u00e3o com a OIM para reclamar das condi\u00e7\u00f5es dos banheiros, que a deixam insegura, bem como a filha e outras mulheres venezuelanas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A OIM, por sua vez, disse que nos espa\u00e7os administrados pela organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u201crealizadas escutas qualificadas e sess\u00f5es informativas nas quais s\u00e3o repassados os canais de den\u00fancia como o disque 100 ou 180, entre outras informa\u00e7\u00f5es; s\u00e3o distribu\u00eddos materiais informativos e \u00e9 feita articula\u00e7\u00e3o com a rede de prote\u00e7\u00e3o local de modo a ampliar a prote\u00e7\u00e3o das pessoas acolhidas e a mitigar riscos de viol\u00eancia. A equipe que trabalha no PRA fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da comunidade acolhida e, caso alguma situa\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o se apresente, a rede local \u00e9 acionada\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rafael Cust\u00f3dio Crime organizado, viol\u00eancia sexual e de g\u00eanero e medo constante: os muros que cercam os abrigos onde vivem venezuelanos que se refugiaram no Brasil guardam tamb\u00e9m a inseguran\u00e7a pela qual passa essa popula\u00e7\u00e3o. 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