A mudança de ambiente deve ajudar a definir os próximos passos na recuperação de uma onça-pintada resgatada em Roraima. Após mais de um ano sob cuidados da Rede de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o animal foi levado ao Instituto Nex, em Corumbá de Goiás.
O histórico do felino remonta a janeiro de 2025, quando foi encontrado por policiais ambientais em uma propriedade rural no município de Caroebe, no sul do estado. Na ocasião, tinha pouco mais de um mês e apresentava sinais de desidratação, além de ferimentos, escoriações e infecções por fungos.
O primeiro atendimento ocorreu no Cetas de Boa Vista, onde o animal passou por exames clínicos, incluindo análises de sangue, radiografias e avaliação de parasitas. A equipe também iniciou tratamento veterinário para reverter o quadro identificado no momento do resgate.
Com a evolução clínica, o animal foi transferido em abril do ano passado para o Cetas de Brasília, estrutura que conta com suporte especializado para grandes felinos. Segundo o Ibama, a onça apresenta atualmente condições de saúde consideradas adequadas, com desenvolvimento físico compatível com a idade.
A estratégia adotada no local incluiu um protocolo inédito, conforme explicou o chefe da unidade, Júlio César Montanha. “É a primeira vez que utilizamos esse programa específico para um animal dessa espécie nessa fase da vida”, afirmou.
O comportamento do animal também passou a ser monitorado como critério para futuras decisões. “Hoje ela já apresenta comportamento selvagem, caça presas e evita o contato com humanos, o que é essencial para a reintrodução na natureza”, explicou.
Durante o período de reabilitação, foram realizadas atividades de enriquecimento ambiental para estimular respostas naturais. Cerca de um ano após o resgate, o animal havia ganhado aproximadamente 40 quilos.
No Instituto Nex, a onça será observada em um ambiente maior e mais isolado. A permanência prevista varia entre seis e oito meses. A depender dos resultados, a soltura poderá ocorrer no bioma amazônico.



