Boa Vista recebe, nos dias 29 e 30 de abril, uma oficina promovida pelo Ministério da Saúde para qualificar 181 profissionais da atenção primária na oferta do implante contraceptivo Implanon no Sistema Único de Saúde (SUS).
A atividade faz parte da segunda fase de um programa nacional que pretende capacitar mais 11 mil médicos e enfermeiros em todo o país. Ao todo, estão previstos 32 treinamentos presenciais, com prioridade para municípios com menos de 50 mil habitantes.
Durante a capacitação em Boa Vista, os profissionais serão treinados tanto na inserção do implante subdérmico de etonogestrel quanto em abordagens de atendimento voltadas à saúde sexual e reprodutiva, com foco no diálogo com os pacientes.
As oficinas são estruturadas com atividades teóricas e práticas, incluindo o uso de simuladores anatômicos. A formação é supervisionada por facilitadores do Ministério da Saúde, garantindo a aplicação adequada das técnicas.
A carga horária foi ampliada nesta fase: enfermeiros participam de 12 horas de treinamento, enquanto médicos cumprem 6 horas. A proposta é reforçar a segurança nos procedimentos e o cumprimento das normas profissionais.
Antes de chegar a Roraima, o novo ciclo passou por cidades como Vitória (ES), João Pessoa (PB), Recife (PE), Fortaleza (CE), Campo Grande (MS) e Salvador (BA), ao longo dos primeiros meses de 2026.
Em termos de distribuição do método, o Ministério da Saúde enviou 500 mil unidades do Implanon aos estados brasileiros em 2025. Desse total, 1.635 unidades foram destinadas a Roraima.
Para 2026, a previsão é de envio de mais 1,3 milhão de unidades, ampliando o acesso ao método contraceptivo em diferentes regiões do país.
A estratégia envolve não apenas a ampliação da oferta, mas também a qualificação das equipes para lidar com inserção, retirada e possíveis intercorrências relacionadas ao implante. O conteúdo inclui ainda temas como direitos sexuais e reprodutivos, dignidade menstrual e enfrentamento ao racismo.
Outro ponto abordado nas oficinas é o acolhimento de casos de violência na atenção primária, além da apresentação de todos os métodos contraceptivos disponíveis no SUS.
A primeira fase da iniciativa ocorreu entre outubro e dezembro de 2025, com 30 oficinas realizadas em 27 estados. Ao todo, participaram cerca de 2,9 mil profissionais e gestores.
Desses, aproximadamente 1,8 mil médicos e enfermeiros foram qualificados para realizar os procedimentos relacionados ao Implanon, alcançando 682 municípios.
O enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família em Brasília (DF), Ezequiel Martins, destacou os impactos da formação na prática profissional.
“A atividade trouxe discussões sobre políticas públicas e direitos sexuais e reprodutivos, além de mais segurança para realizar o procedimento”, afirma.
O Implanon é considerado um método contraceptivo de longa duração, com ação de até três anos no organismo. Após esse período, o dispositivo deve ser retirado, podendo ser substituído imediatamente pelo SUS.
A fertilidade retorna rapidamente após a remoção do implante, o que o torna uma opção reversível dentro das políticas públicas de planejamento reprodutivo.
Além do Implanon, o SUS disponibiliza gratuitamente preservativos externos e internos, dispositivo intrauterino (DIU) de cobre, anticoncepcionais orais, pílulas de emergência, laqueadura tubária bilateral e vasectomia.
O Ministério da Saúde reforça que o uso de preservativos é indispensável para a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).



