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	<title>Codevasf Archives - FatoRR Notícias</title>
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		<title>‘Emendoduto’: programa militar nas fronteiras é usado para farra de obras e máquinas</title>
		<link>https://fatorrnoticias.com.br/emendoduto-programa-militar-nas-fronteiras-e-usado-para-farra-de-obras-e-maquinas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jan 2025 21:17:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BRASIL]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Calha Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Codevasf]]></category>
		<category><![CDATA[emendas parlamentares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Calha Norte, tradicional programa das&#160;Forças Armadas&#160;brasileiras, recebeu mais de R$ 3 bilhões em verbas de&#160;emendas parlamentares&#160;nos últimos sete anos, o que significou um desvio na finalidade original de atuação militar estratégica nas fronteiras. Hoje, aproximadamente 60% do território nacional é coberto pelo Calha Norte, que chega a dez estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O Calha Norte, tradicional programa das&nbsp;Forças Armadas&nbsp;brasileiras, recebeu mais de R$ 3 bilhões em verbas de&nbsp;emendas parlamentares&nbsp;nos últimos sete anos, o que significou um desvio na finalidade original de atuação militar estratégica nas fronteiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, aproximadamente 60% do território nacional é coberto pelo Calha Norte, que chega a dez estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os bilhões de reais aplicados por deputados federais e senadores no Calha Norte recentemente levaram o programa a executar obras de pavimentação e construção, além de entregar máquinas, veículos e equipamentos nos redutos eleitorais indicados a dedo pelos congressistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desfiguração levou o governo federal a anunciar que o programa, prestes a completar 40 anos, será transferido do Ministério da Defesa para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que já tem sob sua responsabilidade uma estatal também convertida em emendoduto, a&nbsp;Codevasf.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Interesses escusos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há vários paralelos nas trajetórias recentes do Calha Norte e da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf),&nbsp;empresa pública criada há 50 anos para promover projetos de irrigação no semiárido que foi capturada pelos padrinhos de emendas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos que mais chamam a atenção é o da expansão territorial nos últimos anos para abranger mais municípios de interesse de deputados e senadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Codevasf hoje vai da&nbsp;Amazônia&nbsp;Legal ao litoral do Nordeste, enquanto o Calha Norte chega até a se afastar das regiões fronteiriças, alcançando o estado do Tocantins.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos maiores saltos no programa militar ocorreu em 2022, no último ano da gestão de&nbsp;Jair Bolsonaro&nbsp;(PL), quando a área de abrangência cresceu em 40%, passando de 442 para 619 localidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No primeiro ano do governo&nbsp;Lula&nbsp;(PT), houve novo acréscimo, e agora ao todo são 783 municípios. No entanto, apenas cerca de um quinto deles, 170, está nas fronteiras brasileiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os valores de emendas destinados ao programa começaram a aumentar significativamente a partir de 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Daquele ano a 2023, último ano completo considerado no pedido de informações feito pela&nbsp;reportagem&nbsp;ao ministério, os valores anuais de emendas executados no Calha Norte saltaram de R$ 266 milhões, em 2017 (valores corrigidos pela inflação), para R$ 688 milhões, em 2023, o que corresponde a um aumento de cerca de 160% no fluxo de dinheiro público anual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2024, até outubro, o montante foi de R$ 572 milhões. Ao todo, desde 2017, foram R$ 3,5 bilhões em emendas executadas no âmbito do programa. Desse total, cerca de 70% dos recursos foram destinados a obras, o equivalente a R$ 2,4 bilhões.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>De pavimentação a presídios</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A lista de obras e serviços de engenharia realizados pelo Calha Norte é ampla e inclui pavimentação e construção de escolas, hospitais, mercados municipais, praças, quadras de esportes, estádios, ginásios, quartéis, delegacias, presídios e terminais de carga ou passageiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aproximadamente R$ 1 bilhão em emendas foi gasto para a entrega de produtos, o que incluiu a distribuição de 1.877 veículos e 637 máquinas pesadas desde 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O elenco de bens é bastante variado: motocicletas, carros, picapes, ônibus, ambulâncias, caminhões, compactadores de lixo, retroescavadeiras, motoniveladoras e tratores de esteira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em setembro, o governo anunciou que o Calha Norte será transferido do Ministério da Defesa para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional a partir deste mês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À época, o ministro da Defesa,&nbsp;José Mucio, justificou a medida sob o argumento de que a pasta &#8220;vinha fazendo um trabalho que é de Desenvolvimento Regional, fugindo da finalidade do nosso ministério&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;As Forças Armadas devem trabalhar na área delas, não devem fazer o trabalho que vinham fazendo porque isso confundia, misturava as coisas, atrapalhava a nossa gestão&#8221;, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Estamos deixando de fazer o que não é do nosso ministério e nem temos conhecimento para isso, e meu desejo é que as Forças Armadas voltem para os quartéis para cumprirem suas obrigações&#8221;, completou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mucio endossou a avaliação das Forças Armadas, sobretudo do Exército, de que o Calha Norte tinha se transformado num festival de emendas para outros fins que não os militares, como a construção de praças, quadras e espaços esportivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Preocupação com corte de gastos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma série de empreendimentos desses dá voto, nas palavras de um integrante do Alto Comando do Exército. Mas, abrigados na pasta de Defesa, davam a impressão de que eram verbas para as Forças Armadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez tomada a decisão de transferir o Calha Norte, a preocupação dos militares passou a ser como garantir que, num quadro de&nbsp;corte de gastos pelo Ministério da Fazenda, seja mantida a parte imprescindível do programa para conservar os pelotões de fronteira numa região estratégica para a defesa nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também se pensou o mesmo sobre outros projetos que recebem recursos do Calha Norte, como o dos navios-hospitais da Marinha que atendem populações ribeirinhas na porção setentrional da Bacia Amazônica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A realocação desses recursos ainda estava para ser equacionada do ponto de vista burocrático e, em dezembro, havia receio entre militares de que ela pudesse adiar a transferência do Calha Norte para o Ministério da Integração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;reportagem&nbsp;perguntou ao Ministério da Defesa sobre o atual estágio da transferência e o aumento dos valores das emendas destinadas ao programa, mas a pasta não respondeu.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Com informações da Folha de São Paulo</em></strong></p>
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