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	<title>desaparecidos Archives - FatoRR Notícias</title>
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		<title>Roraima é recordista em desaparecidos no Brasil; Estado é tomado por facção venezuelana, apontam investigações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Feb 2025 18:30:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O vídeo repassado a policiais pelo WhatsApp era tão desconcertante que Carlos Henrique Cornivell não conseguiu assistir à cena toda. Nele, o venezuelano Angel Cornivell, de 26 anos, seu irmão desaparecido, é executado a tiros em um cativeiro em Boa Vista, capital de Roraima. Semanas antes da chegada do vídeo, Carlos havia procurado a Polícia [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O vídeo repassado a policiais pelo WhatsApp era tão desconcertante que Carlos Henrique Cornivell não conseguiu assistir à cena toda. Nele, o venezuelano Angel Cornivell, de 26 anos, seu irmão desaparecido, é executado a tiros em um cativeiro em Boa Vista, capital de Roraima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Semanas antes da chegada do vídeo, Carlos havia procurado a Polícia Civil para informar que suspeitava que seu irmão estaria morto e teria sido enterrado em um provável cemitério clandestino à margem de um igarapé, no bairro Pricumã, zona oeste da cidade. Uma equipe com bombeiros, policiais militares e civis chegou a realizar buscas com a ajuda de cães farejadores no local em abril do ano passado, mas não encontrou o corpo do rapaz, que segue desaparecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2023, o Brasil registrou 80.317 casos de desaparecimentos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública em levantamento mais recente. Roraima lidera a lista dos estados onde mais se some no país, com uma taxa de 81,4 desaparecimentos por cem mil habitantes. Fronteira com Venezuela e Guiana, a região sofre forte influência do garimpo ilegal, passa por uma crise humanitária de imigração e foi <a href="https://fatorrnoticias.com.br/geral/faccao-venezuelana-aliada-ao-pcc-recruta-brasileiros-para-trafico-prostituicao-e-garimpo-ilegal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>tomada por uma facção criminosa venezuelana, a Tren de Aragua</strong></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Roraima (MPRR), a Tren de Aragua nasceu no presídio de Tocorón, na Venezuela, e se consolidou de dentro para fora da prisão. Hoje é uma organização transnacional, com presença também nos Estados Unidos, Chile, Equador, Colômbia, Peru e Bolívia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A facção venezuelana foi a única da América Latina a ser classificada como “organização terrorista estrangeira” em um decreto assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, logo após a sua posse, em 20 de janeiro. O governo americano ofereceu até US$ 5 milhões pela prisão de seus líderes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o MP de Roraima, a facção Tren de Aragua se uniu à paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) para expandir e dominar rotas de tráfico de drogas e armas no país. E, mais recentemente, firmou alianças com a fluminense Comando Vermelho visando à exploração do garimpo ilegal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda conforme o MPRR, o sistema carcerário do Estado já tem 418 presos venezuelanos, ou quase 10% da população prisional de 4.460 internos. Seus crimes de maior incidência são contra o patrimônio (furtos, roubos e latrocínios), tráfico de drogas e homicídios. A facção é notória pela crueldade empregada, como o esquartejamento de opositores, método usado como “assinatura” de seus crimes e para impor terror.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expansão da facção em Roraima coincide com o aumento do fluxo de imigrantes na fronteira. Na última década, mais de 568 mil venezuelanos entraram no Brasil como refugiados. O Estado viveu também uma escalada no número de assassinatos. André Pereira, promotor de Justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especial de Vítimas, Minorias e Direitos Humanos, do MPRR, afirma que o alto fluxo migratório justifica parte dos desaparecimentos, porque, em parte, muitos dos que chegam vão embora sem avisar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A outra é explicada pela criminalidade. Nesse fluxo, eventualmente pode ter gente fugindo de facções que acaba sendo morta aqui. Por fim, existe o garimpo ilegal. São pessoas que vão para regiões de selva, especialmente dentro de áreas indígenas, e desaparecem lá. Seja porque foram mortas, seja porque sofreram algum tipo de acidente. A família não fica sabendo e as mortes entram no cômputo de pessoas desaparecidas”, diz Pereira.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cemitério clandestino</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, a notícia de um cemitério clandestino na divisa dos bairros Pricumã e Cinturão Verde, na zona oeste de Boa Vista, veio à tona. É o mesmo local em que Angel Conivell estaria enterrado, como havia dito seu irmão. <a href="https://fatorrnoticias.com.br/policia/identificada-terceira-vitima-enterrada-em-cemiterio-clandestino-em-boa-vista/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Dos nove corpos localizados, três já foram identificados e têm nacionalidade venezuelana</strong>.</a> A principal suspeita da polícia é de que as vítimas tenham sido julgadas em tribunais do crime e mortas por integrantes da facção Tren de Aragua. Os corpos foram enterrados e cobertos com cal para amenizar o cheiro, dificultar a identificação e acelerar a decomposição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A polícia judiciária ainda não chegou a uma conclusão sobre quem são as pessoas já identificadas e as razões do desaparecimento e morte”, explica Pereira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo de Roraima sabe da existência do local desde, pelo menos, abril do ano passado. O relatório policial das buscas de Angel já apontava que, naquele mesmo local, “foram encontrados restos mortais de outros crimes, fato que levou estes investigadores a diligenciarem nas buscas das pessoas desaparecidas”, diz o documento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados do Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Roraima, obtidos pela reportagem, revelam que muitos dos boletins de ocorrência de desaparecidos nem sequer são lidos pelos delegados — caso do de Angel, que está sem despacho — quando os agentes investigaram por conta própria, sem ordem dos superiores. Atualmente, o núcleo tem 259 registros com despachos cumpridos, 1.439 com pendentes e outros 345 documentos sem nenhum despacho. Uma delegada de alta patente resumiu a situação no Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os policiais querem trabalhar, muitas vezes vão até sem ordem de missão, mas existe esse descaso por parte da chefia. Até pelo fato de a maior parte das vítimas ser imigrante, existe esse preconceito. Estão deixando as organizações criminosas tomarem conta do Estado. Sem a atuação da Segurança Pública, as organizações criminosas preenchem essa lacuna”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recém-moradora de um abrigo em Boa Vista, a venezuelana Marling Orence de Navarro, de 45 anos, reclama do desamparo das autoridades. Ela deixou emprego, família e a terra natal para tentar encontrar a mais velha de seus quatro filhos, Heidymar Carolina Orence.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 18 de junho de 2022, uma chamada telefônica em português revelou que Heidymar tinha sofrido um acidente em Boa Vista. Na época com 23 anos, a jovem tinha se mudado havia pouco para o Brasil para trabalhar como cozinheira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acidente está registrado em um boletim de ocorrência, segundo o qual Heidymar atravessou uma via e foi atropelada por uma viatura da Polícia Penal. Com uma lesão na cabeça, foi encaminhada para o hospital e liberada na sequência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao seguir as pistas da filha quando chegou a Boa Vista, Marling descobriu que Heidymar foi vista pela última vez em uma pensão da capital. Dormiu ali e, na manhã seguinte, foi levada por uma desconhecida. Nunca mais voltou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Acho que minha filha estava já em perigo quando me ligaram para falar do acidente. Ao chegar aqui, soube que ela estava com um homem muito mais velho e duvido que estivesse por vontade própria. Acho que ela tentou fugir. Tanto que encontrei todas as coisas dela no maleiro: roupas, alguns documentos, os pertences pessoais”, disse Marling.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando soube da notícia do cemitério clandestino, ela ficou preocupada, mas diz que ainda mantém a esperança de encontrar a filha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Já vai fazer três anos que não sei dela, mas confio em Deus e acredito que ela está bem.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Polícia Civil nega que os boletins de ocorrência de desaparecimento nem sequer foram lidos e afirma que, independentemente de despacho formal inicial, as diligências para localizar pessoas desaparecidas são iniciadas imediatamente. Somente ao final dos trabalhos, com a localização ou não da pessoa, os despachos são formalizados. O órgão diz ainda que nenhum boletim é arquivado até que o destino da pessoa desaparecida seja esclarecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre o cemitério clandestino, destaca que a recente localização de corpos indica que o local pode ter sido utilizado posteriormente à primeira investigação, de abril de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Com informações de Aline Ribeiro/O Globo</em></strong></p>
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