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	<title>etnia Warao Archives - FatoRR Notícias</title>
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	<title>etnia Warao Archives - FatoRR Notícias</title>
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	<item>
		<title>Obra do PAC pode deixar indígenas venezuelanos sem teto em Boa Vista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Feb 2025 22:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rafael Custódio A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) de Roraima deu 40 dias, a partir de 23 de janeiro, para que 85 famílias indígenas venezuelanas, da etnia Warao, incluindo 100 crianças, deixem a ocupação Yakera Inê, no bairro Pintolândia, zona oeste de Boa Vista. No local, está prevista a construção de uma maternidade com [&#8230;]</p>
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<figure class="alignleft size-full"><img decoding="async" width="169" height="42" src="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/08/selonovo-agencia-publica.webp" alt="" class="wp-image-5478"/></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Rafael Custódio</strong> </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) de Roraima deu 40 dias, a partir de 23 de janeiro, para que 85 famílias indígenas venezuelanas, da etnia Warao, incluindo 100 crianças, deixem a ocupação Yakera Inê, no bairro Pintolândia, zona oeste de Boa Vista. No local, está prevista a construção de uma maternidade com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em condição de anonimato, os moradores da ocupação disseram à reportagem que a maior parte não tem recursos para arcar com um aluguel e não gostaria de ingressar nos abrigos da Operação Acolhida, pois perderiam a autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Preferimos viver nas ruas a ir para um abrigo”, disse o Warao.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os moradores também disseram que foram visitados por dois supostos servidores da Sesau, que estavam acompanhados de policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não viemos para expulsar ninguém. Vamos dar as condições: o abrigo ou pensar em outra possibilidade. Estamos aqui para [comunicar que] se preparem”, disse um suposto servidor da pasta estadual de saúde aos indígenas, em um vídeo obtido pela reportagem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O comunicado ocorreu 15 dias após a morte de um casal indígena dentro da ocupação. Na ocasião, um homem armado abriu fogo contra uma mulher, que segurava o filho de 4 meses no colo, e o marido dela. A principal suspeita, segundo a Polícia Civil de Roraima, é que <a href="https://fatorrnoticias.com.br/policia/imigrantes-sao-mortos-em-ataque-a-tiros-em-abrigo-desativado-na-zona-oeste-de-boa-vista/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>o homem foi assassinado</strong></a> em possível acerto de contas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A ocupação foi fundada pelos próprios indígenas da etnia Warao que deixaram a Venezuela, em virtude da crise econômica, política e social, em 2017. No entanto, em 2018 a Operação Acolhida passou a administrar o local, mas encerrou suas atividades quatro anos depois. Os Warao, no entanto, optaram por continuar no espaço e administrá-lo de forma autônoma.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma liderança indígena da ocupação disse que a experiência sob a administração da Operação Acolhida não foi positiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O abrigo é militarizado, tomam decisões arbitrariamente, não respeitam os nossos costumes e tradições”, afirmou. “Queremos um espaço [definitivo] para que não aconteça de ter que sair [da ocupação]”, concluiu o indígena.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio de nota, a Sesau disse que “entende ainda que fenômenos complexos como o da mobilidade humana exigem respostas transversais, considerando ainda que o público é indígena, e por isso o esforço deve ser conjunto e envolver órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e Ministério da Saúde, além da própria Operação Acolhida, força-tarefa que recebe recursos específicos para essas respostas e é responsável direta pela gestão do fluxo de pessoas migrantes na região”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Suspensão de repasses</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Boa Vista foi um dos 11 municípios de Roraima contemplados com as obras do PAC. O edital, lançado em 2023, previa a ampliação de equipamentos de saúde no Estado. O governo roraimense não respondeu quando as construções devem começar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O anúncio de desocupação da Yakera Inê ocorreu em um momento delicado para a Operação Acolhida: em virtude da suspensão dos repasses do governo dos Estados Unidos às entidades filantrópicas, a Organização Internacional para Migrações (OIM), da ONU, interrompeu provisoriamente as suas atividade no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A OIM era responsável pelo Posto de Recepção e Apoio (PRA), onde migrantes venezuelanos em situação de rua podem pernoitar, receber as três refeições e ter acesso a banheiros limpos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://fatorrnoticias.com.br/roraima/apos-medidas-de-trump-brasil-estuda-estrategia-para-atender-venezuelanos-em-roraima/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Em resposta à suspensão das atividades da OIM, o governo brasileiro anunciou uma força-tarefa</strong> </a>para “reduzir os impactos da ausência das equipes na operação logística e na gestão de abrigos”, com realocação de servidores das áreas de saúde, assistência social, da Polícia Federal e Defesa para manterem, em caráter emergencial, as atividades essenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Com informações da Agência Pública</em></strong></p>
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		<item>
		<title>Comida estragada, desnutrição e calor: refugiados denunciam más condições da Operação Acolhida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2024 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[DIREITOS HUMANOS]]></category>
		<category><![CDATA[RORAIMA]]></category>
		<category><![CDATA[abrigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rafael Custódio Crianças indígenas com desnutrição, comidas com insetos, doenças e habitações nada aclimatadas para a região amazônica. Essas foram as denúncias feitas pela população venezuelana refugiada, ex-trabalhadores humanitários e pesquisadores sobre a estrutura da Operação Acolhida, em Roraima, que abriga migrantes principalmente vindos da Venezuela. As denúncias foram ouvidas pela Agência Pública no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img decoding="async" width="169" height="42" src="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/selonovo-agencia-publica-1.webp" alt="" class="wp-image-4316"/></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Por Rafael Custódio</em></strong> </p>



<p class="wp-block-paragraph">Crianças indígenas com desnutrição, comidas com insetos, doenças e habitações nada aclimatadas para a região amazônica. Essas foram as denúncias feitas pela população venezuelana refugiada, ex-trabalhadores humanitários e pesquisadores sobre a estrutura da Operação Acolhida, em Roraima, que abriga migrantes principalmente vindos da Venezuela. As denúncias foram ouvidas pela Agência Pública no local e fazem parte da segunda reportagem da série <a href="https://fatorrnoticias.com.br/roraima/migrantes-e-trabalhadores-relatam-violencia-crime-e-medo-na-operacao-acolhida-em-roraima/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Segredos da Operação Acolhida</a>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Operação Acolhida conta hoje com sete abrigos, sendo três deles voltados para a população indígena refugiada. Eles são administrados pela Agência ONU para Refugiados, a Acnur. Segurança, zeladoria e distribuição das refeições são feitas pelo Exército Brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a comida, segundo a reportagem apurou no Portal da Transparência, é fornecida ao menos desde 2022 pela empresa Paladar Nutri. Segundo o próprio portal e informações confirmadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a empresa RMP Romero também presta serviço direto de alimentação, contudo, nas cidades de Pacaraima e Manaus (AM).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob a responsabilidade da Organização Internacional para as Migrações (OIM), fica o Posto de Recepção e Apoio (PRA), um espaço onde os migrantes em situação de rua podem dormir à noite; e o Posto de Interiorização e Triagem, onde a população venezuelana recém-chegada tira a documentação de residência no Brasil. Nesse último espaço, parte das tarefas também é dividida com outras agências humanitárias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estima-se que mais de um milhão de venezuelanos tenham passado pelos serviços da Operação Acolhida desde fevereiro de 2018, quando a ação teve início, ainda no governo do então presidente Michel Temer. Os dados são do Ministério da Justiça.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Crianças indígenas desnutridas e comida que adoece</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“No almoço e no jantar, às vezes, a comida chega com baratas, moscas e larvas”, disse Afonso Aztana (fictício), indígena venezuelano da etnia Warao, que vive no abrigo Jardim Floresta, da Operação Acolhida, administrado pela Acnur e pelo Exército Brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aztana contou à Pública que as crianças indígenas estariam doentes por causa da comida entregue pela empresa Paladar Nutri e distribuída pelo Exército Brasileiro todos os dias. Além disso, todas as queixas feitas aos militares sobre a alimentação servida seriam alvo de retaliação à população indígena abrigada no Jardim Floresta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Diarreia, febre, vômito, dor de cabeça e no corpo” foram os sintomas que as crianças apresentaram ao ingerir a comida fornecida pela Operação Acolhida, segundo o indígena Warao. À Pública, ele afirmou que havia casos de desnutrição de crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurada pela reportagem, a empresa Paladar Nutri não respondeu até a publicação desta reportagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Aztana, as diferentes etnias que estão abrigadas convivem bem e, por vezes, preferem cozinhar o próprio alimento a nutrir-se do que é servido pela Operação Acolhida. “Aqui em Roraima, nós compramos farinha triturada e comemos com peixe frito”, disse o Warao sobre um dos cardápios alternativos feitos pelos indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os abrigos indígenas da Operação Acolhida em Boa Vista e Pacaraima são os únicos que contam com fogões a lenha, pela preferência dos abrigados em fazer suas próprias comidas típicas em vez de se alimentarem com as marmitas distribuídas pelo Exército.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Se vocês [militares] estão nos trazendo essa comida e não querem cozinhar como deve ser, traga-nos a comida crua e nós mesmos vamos cozinhar”, disse Aztana em tom de crítica ao que é oferecido pela Operação Acolhida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luana Pedroso (fictício), 31 anos, ex-trabalhadora humanitária de uma das ONGs vinculada à Acnur, contou que, embora os abrigos indígenas tenham mais espaço para debater insatisfações, a comida ainda é alvo de críticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“[A empresa fornecedora e o Exército] Não conseguem fornecer uma alimentação que seja, de fato, a alimentação a que eles estão acostumados. Você tem, por exemplo, casos de desnutrição com maior percentual de ocorrência em abrigos indígenas do que não indígenas”, disse a ex-trabalhadora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Por exemplo, eles adoram fazer sopa com peixe. Peixe frito, peixe na sopa […] Só que eles não conseguem comprar o peixe. É uma questão de não conseguir realmente ter dinheiro para comprar o que eles estão acostumados a comer”, completou Pedroso.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="576" src="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Migrantes-apontam-que-estrutura-dos-abrigos-nao-atende-quem-busca-refugio-Foto-Rafael-Custodio-Agencia-Publica.jpg" alt="" class="wp-image-4740" style="width:768px;height:auto" srcset="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Migrantes-apontam-que-estrutura-dos-abrigos-nao-atende-quem-busca-refugio-Foto-Rafael-Custodio-Agencia-Publica.jpg 768w, https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Migrantes-apontam-que-estrutura-dos-abrigos-nao-atende-quem-busca-refugio-Foto-Rafael-Custodio-Agencia-Publica-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Migrantes apontam que estrutura dos abrigos da Operação Acolhida não atende quem busca refúgio em Roraima Foto: Rafael Custódio/Agência Pública</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A professora Márcia Maria, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), aponta que o contrato da Operação Acolhida prevê alimentação específica para crianças indígenas. “Desde o início da operação, [há]&nbsp;um índice alto de crianças desnutridas no processo de abrigamento, porque elas não conseguem comer as mesmas comidas dos adultos. Por exemplo, o acréscimo de frutas, de iogurte, de comidas voltadas para a idade das crianças, não existe essa separação e essa adequação”, criticou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A professora cita, também, que o contrato previa um cardápio variado e que respeitasse a cultura venezuelana. No entanto, “é sempre aquele menu clássico: arroz, feijão, macarrão, farofa e, às vezes, uma salada e um tipo de proteína. O que varia de segunda a sexta é a proteína, um dia carne vermelha, outro dia frango, muito raramente tem peixe ou sardinha”, disse.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A queixa sobre a comida é compartilhada também por quem vive no Rondon 1, o maior abrigo da Operação Acolhida, em Boa Vista. Segundo María Carmen (fictício), cuja idade não será revelada a pedido dela, pessoas têm ficado doentes em razão da forma como a comida é armazenada e distribuída para a população.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A comida é muito triste! As crianças têm problema de desnutrição, por não a comerem”, contou ela, em anonimato, por receio de sofrer represália dos militares do Exército. Ela disse, também, que quem tem a possibilidade às vezes “compra ou come na rua”, para evitar as marmitas servidas pela Operação Acolhida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A equipe de comunicação social da Operação Acolhida e o MDS responderam por meio de nota que os cardápios levam “em consideração as diferentes etnias e seus hábitos alimentares”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Há um acompanhamento contínuo da saúde da população abrigada com ações preventivas e, sendo diagnosticado algum caso de desnutrição, são adotadas as medidas para a reversão da situação por profissionais capacitados”, respondeu a operação sobre a denúncia das crianças desnutridas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Constantemente doentes&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As camas enfileiradas em um espaço protegido por grades e sem paredes escancaram uma das principais queixas dos venezuelanos refugiados e migrantes dentro do PRA, em Boa Vista: os constantes resfriados entre crianças, adultos e idosos que utilizam o espaço todas as noites.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem viu nos arredores da Rodoviária Internacional de Boa Vista, onde está situado o PRA, inúmeras famílias aguardando o horário para poderem acessar o espaço de acolhimento. Uma delas era a de Victor Cotañera (fictício), de 30 anos, a esposa, de 28, e os filhos de 1 e 3 anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Onde dormimos é um espaço sem paredes. Se chove com vento, nos molhamos”, contou o patriarca. A situação é suportada porque, em breve, ele e a família serão interiorizados para Santa Catarina, onde têm familiares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando chove, pelo fato do espaço ser muito aberto, […] as crianças recebem todo o vento da chuva e acaba que, se pegam uma gripe, elas pioram”, disse Ana Miranda (fictício), 37 anos, que se abriga todos os dias no PRA com o marido de 49 anos e a filha, de 17.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ana Miranda, o marido e a filha conseguiram uma cama fixa dentro do PRA, que julgam ser “uma área mais cômoda”, com camas maiores. Outro benefício é que não precisam deixar o espaço tão cedo como os outros acolhidos, às 6h. Eles podem estender a estadia até 11h, depois do café da manhã, e das 12h às 14h, durante o almoço.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, as famílias optam por ficar nas ruas sob sombras frescas, pois o calor sob a tenda, às vezes, é insuportável. Boa Vista está em uma zona equatorial, onde as temperaturas podem chegar aos 40 ºC durante o dia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vinda do sul da Venezuela há um ano, María – que será identificada apenas com o primeiro nome –, de 37 anos, prefere dormir na rua com os seus quatro filhos menores de 18 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eu durmo na rua, porque não gosto do calor e dos mosquitos”, disse ela ao referir-se à falta de paredes do PRA e ao calor das casas dentro dos abrigos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A OIM mantém ainda atendimentos regulares de saúde para a população do PRA com sua equipe de profissionais e com apoio da sua Unidade Móvel de Saúde, que permite a dispensação de medicamentos para a população”, disse por meio de nota.&nbsp; “Quando necessário, a organização também faz o encaminhamento para atendimento na rede local de saúde”, completou.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O MDS e a Operação Acolhida negaram que a população fique doente no PRA em decorrência da estrutura: “A coordenação de saúde da Operação Acolhida informa que não há correlação sobre doenças decorrentes de venezuelanos molhados em abrigos”, disse em nota.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="432" src="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Arte-Matheus-Pigozzi-Agencia-Publica-2.jpg" alt="" class="wp-image-4741" srcset="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Arte-Matheus-Pigozzi-Agencia-Publica-2.jpg 768w, https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Arte-Matheus-Pigozzi-Agencia-Publica-2-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8216;Quando chove, pelo fato do espaço ser muito aberto, […] as crianças recebem todo o vento da chuva e acaba que, se pegam uma gripe, elas pioram&#8217;, diz uma refugiada &#8211; Imagem/Arte: Matheus Pigozzi/Agência Pública</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>No calor da Amazônia, abrigos batem 50 ºC</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Mediante a aflição da criança, que estava com assaduras visivelmente profundas, nós colocamos um medidor de temperatura no interior da carpa [unidade habitacional utilizada nos abrigos] e esse medidor apontou 50 ºC”, contou a professora Márcia Maria, durante um trabalho de pesquisa dentro de um dos abrigos da Operação Acolhida, em novembro de 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa era conduzida por Márcia Maria e seus orientandos do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Fronteiras (Geifron), do Programa de Pós-Graduação em Sociedade de Fronteiras da Universidade Federal de Roraima (PPGSOF).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a professora, os alojamentos dentro do abrigo seguem o padrão internacional da Acnur, importado de países com temperaturas mais baixas. As carpas, como são chamadas, são feitas de acrílico e revestidas com uma manta térmica para reter o calor. No entanto, nos abrigos da Operação Acolhida, as habitações foram modificadas e minijanelas foram incorporadas para aumentar a circulação de ar, o que não é suficiente para refrescar os abrigados das altas temperaturas da Amazônia, segundo os relatos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a visita aos abrigos, um grupo de pesquisadoras da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) presenciou famílias com bebês dormindo do lado de fora das carpas, por causa do forte calor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Na caminhada pelo abrigo, havia colchões no chão, por cima das pedras de brita, outro fator de concentração de calor. O motivo era o calor de dentro da carpa, que impossibilitava que essas crianças dormissem dentro delas”, disse a pesquisadora Sofia Zanforlin.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“As unidades habitacionais onde vivem os venezuelanos abrigados são definitivamente incompatíveis com o clima tropical-equatorial de Roraima. Essas estruturas são feitas de material plástico e possuem péssima circulação por serem locais baixos, apertados e com uma quantidade ínfima de janelas”, destacou a também pesquisadora Julia Afonso Lyra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Ana Carolina Gonçalves Leite, outra integrante do grupo de pesquisadoras da UFPE, “outros modelos, de madeira, que tomam como repertório a casa popular regional, chegaram a ser testados, mas não foram adiante supostamente pela necessidade de reaproveitar as tendas ou carpas que o Acnur já possuía”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gonçalves pondera, no entanto, que não é possível “ter certeza se o custo logístico para trazer essas tendas para o Brasil é de fato menor do que a fabricação local das casas de madeira”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O MDS afirmou que “as carpas seguem um padrão internacional. A Operação Acolhida, a fim de melhorar as condições dos migrantes e refugiados, realizou adequações nas carpas, como a construção de janelas e aberturas para melhor ventilação e diminuição da temperatura ambiente”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Acnur optou por não responder a nenhum dos questionamentos da Pública.&nbsp;</p>



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