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	<title>ibmec Archives - FatoRR Notícias</title>
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	<title>ibmec Archives - FatoRR Notícias</title>
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		<title>Eleição na Venezuela altera equilíbrio geopolítico global; sociólogo aponta ‘efeito simbólico’ em caso de vitória da oposição</title>
		<link>https://fatorrnoticias.com.br/eleicao-na-venezuela-altera-equilibrio-geopolitico-global-sociologo-aponta-efeito-simbolico-em-caso-de-vitoria-da-oposicao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jul 2024 17:59:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O fato de a Venezuela ser um país petroleiro – dona das maiores reservas comprovadas do mundo – e de o atual governo manter relações tensas com potências ocidentais e ter proximidade com China, Rússia e Irã, faz com que a eleição no país caribenho, no domingo (28), tenha amplas implicações geopolíticas, segundo avaliação de [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O fato de a Venezuela ser um país petroleiro – dona das maiores reservas comprovadas do mundo – e de o atual governo manter relações tensas com potências ocidentais e ter proximidade com China, Rússia e Irã, faz com que a eleição no país caribenho, no domingo (28), tenha amplas implicações geopolíticas, segundo avaliação de especialistas consultados pela&nbsp;reportagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O professor de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Alexandre Pires ressaltou que, se Nicolás Maduro permanecer no poder, o bloco de países formado por China, Rússia e Irã vai continuar com um importante parceiro no continente sul-americano. Por outro lado, se vence a oposição, a tendência é de o país retomar um alinhamento político com os Estados Unidos. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É claro que o contato e as parcerias provavelmente seriam mantidos, especialmente no nível econômico, mas a Venezuela entraria em uma situação de maior normalidade, talvez conseguindo restabelecer laços com os Estados Unidos, país do qual inevitavelmente eles são muito dependentes, especialmente para tentar escoar o petróleo, e, também, com a Espanha e com a Europa Ocidental”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pires lembrou ainda que a vitória da oposição poderia elevar os investimentos no setor petroleiro, ajudando a recuperar a principal indústria do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A Venezuela conseguiria também colocar mais petróleo no mercado. Obviamente, isso influenciaria o preço da mercadoria. Ou seja, colocaria o país em rota de colisão com os parceiros da Opep. Não saberíamos o quanto ela manteria essa relação com a Opep ou se inclinaria a receber mais investimentos para tentar aumentar sua capacidade produtiva”, completou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crise econômica e o bloqueio petroleiro dos últimos anos deterioraram a infraestrutura da indústria petroleira venezuelana. De uma produção média de 2,3 milhões de barris por dia (bpd) em 2015, o país produziu em junho de 2024 apenas 851 mil bpd, segundo dados da Opep. Ou seja, a produção é hoje 35% do que era em 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) é um cartel formado por países como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait, entre outros, e que costuma combinar cotas de produção para influenciar os preços internacionais do produto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Instabilidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O professor de relações internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Nildo Ouriques diz que todo acontecimento na América Latina tem imensas implicações, mas ressalta que o caso venezuelano talvez seja mais importante pela questão do petróleo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Se não tivesse petróleo na Venezuela, os Estados Unidos estariam igualmente preocupados, mas não colocariam como uma prioridade da sua política externa. Então, o petróleo é fundamental”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Nildo, não há possibilidade de estabilidade política na Venezuela, ganhe quem ganhar. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A América Latina não pode trabalhar com o conceito de estabilidade política porque nós estamos submetidos à pressão imperialista. Nenhum país submetido à pressão imperialista pode falar em estabilidade política”, destacou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O professor, que também lidera o Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, acrescentou que os chavistas (partidários das ideias, programas e estilo de governo associados ao ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, que governou o país entre 1999 e 2013) têm capacidade de mobilização e poderão colocar pressão, caso a oposição vença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A Venezuela não terá nenhuma estabilidade, nem os regimes que são totalmente apoiados pelos Estados Unidos têm estabilidade, vide o caso do Haiti. Se ganhar a oposição, os bolivarianos [militantes chavistas] têm capacidade de mobilização e de esquentar a chapa contra o governo. E, se ganhar Maduro novamente, a luta contra ele, apoiada pela embaixada [dos EUA], com apoio dos meios de comunicação, vai continuar”, completou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Efeito simbólico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O sociólogo, economista político e analista venezuelano Luis Salas ressaltou que a vitória da oposição teria, para além das implicações geopolíticas, um importante efeito simbólico devido a todo o processo político iniciado em 1999, com a chegada de Hugo Chávez ao poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Do ponto de vista geopolítico, a vitória da oposição teria muitas implicações. Um eventual governo de Edmundo González e María Corina Machado significaria um alinhamento com [Javier] Milei na Argentina e com governos tremendamente reacionários, como o do Equador e o do Peru. Isso significaria para a região uma mudança geopolítica importante, além de simbólica, tratando-se de Venezuela”, destacou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há menos de uma semana das eleições, as <a href="https://fatorrnoticias.com.br/mundo/venezuela-a-sete-dias-da-eleicao-pesquisas-divergem-sobre-resultado/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisas eleitorais na Venezuela divergem sobre o resultado </a>do pleito presidencial marcado para domingo. Enquanto algumas enquetes dão a vitória, com ampla margem, ao principal candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, outros levantamentos apontam para a reeleição do presidente Nicolás Maduro, também com confortável vantagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Oposição participa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 21 milhões de venezuelanos deverão eleger o próximo presidente, que vai governar o país sul-americano entre 2025 e 2031. Nicolás Maduro, no poder desde 2013, enfrenta nas urnas nove concorrentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta é a primeira eleição, desde 2015, em que toda a oposição aceitou participar do pleito. Desde 2017, os principais partidos de oposição vinham boicotando as eleições nacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Venezuela enfrenta um bloqueio financeiro e comercial pelo menos desde 2017, quando potências como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e União Europeia passaram a não reconhecer a legitimidade do governo Maduro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O país vizinho também passou por grave crise econômica no período, com hiperinflação e perda de cerca de 75% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), o que resultou na migração de mais de sete milhões de pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde meados de 2021, o país vem mostrando alguma recuperação econômica. A hiperinflação foi controlada, e a economia voltou a crescer em 2022 e 2023, porém, os salários continuam baixos e os serviços públicos deteriorados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 2022, o embargo econômico vem sendo parcialmente flexibilizado e um acordo entre oposição e governo foi firmado para as eleições deste ano. Porém, denúncias de prisões de opositores nos últimos dias e recusas a assinar acordo para respeitar o resultado eleitoral por alguns candidatos da oposição, entre eles, o favorito Edmundo González, jogam dúvidas sobre o dia após a votação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Com informações da Agência Brasil</em></strong></p>
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