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	<title>participa+ Archives - FatoRR Notícias</title>
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	<title>participa+ Archives - FatoRR Notícias</title>
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		<title>Participa +: Formação para o controle social no SUS potencializa vozes indígenas e imigrantes em Pacaraima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jul 2024 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BRASIL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O território no conselho de saúde ou a participação social no território? Para quem conhece a potência de um Sistema Único de Saúde (SUS) universal, equânime e integral tem consciência de que em Pacaraima, município roraimense na fronteira com a Venezuela, é impossível fiscalizar, acompanhar e monitorar as políticas públicas de saúde sem ouvir as [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O território no conselho de saúde ou a participação social no território? Para quem conhece a potência de um Sistema Único de Saúde (SUS) universal, equânime e integral tem consciência de que em Pacaraima, município roraimense na fronteira com a Venezuela, é impossível fiscalizar, acompanhar e monitorar as políticas públicas de saúde sem ouvir as vozes das comunidades indígenas e das pessoas migrantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E não foi diferente com a oficina de número 74 do Participa&nbsp;+, projeto de Formação para o Controle Social no SUS. Desenvolvido&nbsp;pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) e pelo&nbsp;Centro de Educação e Assessoramento Popular (Ceap)&nbsp;em parceria com a Opas, o projeto que chega a sua 4ª edição tem como objetivo qualificar a atuação de conselheiras e conselheiros de saúde e lideranças de movimentos sociais através da formação, do fortalecimento institucional e da produção de conhecimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com esse propósito, a sala de aula da&nbsp;Escola Municipal de Educação Infantil Professor Raimundo Nonato Leda dos Santos, em Pacaraima,&nbsp;recebeu, nos dias 11 e 12 de julho, gestores, trabalhadores, usuários do SUS e conselheiros de saúde. Durante os dois dias de trabalho, os participantes aprofundaram seus conhecimentos sobre os conceitos de saúde, princípios e organização do SUS, financiamento de saúde, ciclo orçamentário e instrumentos de planejamento do SUS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi pelo olhar de pessoas migrantes e indígenas que os debates foram permeados e marcaram a oficina, como destacou o educador popular&nbsp;do Ceap,&nbsp;Jorge Gimenez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Essas duas questões aparecem com muita força. Tivemos indígenas e migrantes participando da oficina, e boa parte do debate foi enriquecido por essa diversidade. Isso demonstra a realidade brasileira, que vai além das capitais. Nas regiões do interior, onde realizamos as oficinas de formação, essas questões ficaram muito visíveis e marcantes.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Gimenez, esse debate é fundamental para a luta pelo direito à saúde no Brasil, embasado nos princípios da universalidade, integralidade e equidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A natureza do direito à saúde que defendemos permite que discutamos as diferenças internas no Brasil, incluindo os indígenas e estrangeiros. Graças à constituição do SUS, os imigrantes têm os mesmos direitos ao atendimento que os brasileiros, com acesso a serviços médicos.” A oficina do Participa +, em Pacaraima, reforça o compromisso do SUS em promover a inclusão e a equidade, escutando todas as vozes e garantindo o direito à saúde para todos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>De olho no orçamento da saúde pública&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecer a composição e ciclos orçamentários do SUS para saber como incidir sobre a melhoria no financiamento da saúde pública para que atenda às necessidades locais é um dos objetivos da oficina. Nesse sentido, o encontro deu luz ao posicionamento no Brasil quando o assunto é financiamento.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="431" src="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS3.jpg" alt="" class="wp-image-4330" srcset="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS3.jpg 768w, https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS3-300x168.jpg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Desenvolvido pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) e pelo Centro de Educação e Assessoramento Popular (Ceap) em parceria com a Opas, projeto que chega à quarta edição &#8211; Foto: Divulgação/CNS</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">No cenário internacional, o Brasil figura como um dos países que mais gastam com saúde em termos percentuais do PIB. Enquanto Canadá e Reino Unido destinam 10.8% do PIB aos seus sistemas de saúde universal, o Brasil não está muito distante, com 9.6%. No entanto, a disparidade se torna evidente ao analisar a origem desses gastos. No Brasil, apenas 3.9% do PIB são gastos públicos, enquanto 5.7% são gastos privado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contraste, tanto o Canadá quanto o Reino Unido têm gastos públicos significativamente maiores, com 8.4% e 7.5% respectivamente, e menores gastos privados, em torno de 2.3%. Esta diferença acentua a necessidade de reestruturar o financiamento da saúde no Brasil, promovendo um aumento do investimento público e reduzindo a dependência do setor privado. A pergunta crucial é: por que o Brasil gasta de forma a privilegiar o setor privado sobre o público? Esta questão remete à dificuldade de acesso a especialistas e serviços específicos no sistema público, que muitas vezes leva a população a buscar soluções no setor privado, aumentando os custos e diminuindo a eficácia do investimento em saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2019, o Brasil apresentou um gasto per capita com saúde de 1.498 dólares, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Este valor inclui tanto o gasto público quanto o privado. No contexto global, esse montante é significativamente menor quando comparado a países como o Canadá e o Reino Unido, que registraram gastos per capita de 5.521 e 5.087 dólares, respectivamente. Este cenário destaca a necessidade urgente de aumentar o investimento público em saúde para garantir um sistema mais equitativo e eficaz, reduzindo a dependência do setor privado e promovendo um acesso mais amplo e justo aos serviços de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo que a oficina trouxe conteúdos relevantes sobre etapas e prazos para criar diretrizes que possam incidir no plano de saúde do município, bem como envolver os candidatos a prefeito e a vereador com as pautas da saúde, trouxe para o centro demandas relevantes à realidade local. O papel do conselheiro e sua autonomia para monitorar e fiscalizar estiveram entre as principais reflexões.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Oficina já nasceu como multiplicadora de conhecimento&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob o olhar atento dos alunos, que trouxeram a realidade para dentro da sala de aula, os planos de trabalho da oficina foram elaborados. A cartilha do Participa + percorreu os grupos de trabalho da oficina e serviu como instrumento de consulta e fomento. Esse recurso impulsionou a criação colaborativa, refletindo o compromisso com a participação ativa e o aprendizado coletivo. A presidente do Conselho Municipal de Saúde e líder indígena, Diularneide Macuxi, destacou a importância de oficinas participativas para impulsionar ações que buscam melhorar as condições de saúde nos territórios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Levei a cartilha para casa e li de uma só vez. Ela nos orienta sobre como a participação social pode impactar diretamente na melhoria da saúde da nossa população. Nesta oficina trabalhamos com equidade, abrangendo toda a população sem distinção, incluindo comunidades ribeirinhas e indígenas. Tanto a cartilha quanto a oficina favorecem o trabalho em equipe e nos preparam para enfrentar um dos maiores desafios: incluir o atendimento de pessoas imigrantes no sistema de saúde e lidar com os indicadores dessa realidade.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os planos elaborados começaram a se tornar realidade. Assim que a oficina foi encerrada, a presidente do conselho municipal, Diularneide Macuxi, e o coordenador da oficina, Jorge Gimenez, visitaram a comunidade indígena Tarau Puru. Situada na Reserva São Marcos, em Pacaraima, essa comunidade é uma das poucas que aceitam indígenas imigrantes, como o povo Taurepang-Pemon, que deixou o território venezuelano. Desde então, o número de moradores aumentou de 200 para mais de 900.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img decoding="async" width="768" height="431" src="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS.jpg" alt="" class="wp-image-4332" srcset="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS.jpg 768w, https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS-300x168.jpg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Durante dois dias de trabalho, participantes aprofundaram conhecimentos sobre conceitos de saúde, princípios e organização do SUS &#8211; Foto: Divulgação/CNS</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Para chegar ao local, que fica muito próximo à fronteira entre os dois países, é necessário ter autorização e passar por uma área militar brasileira. O grupo foi recebido pela tuxaua Maria Deunice Gutierre, a primeira mulher a se tornar líder da comunidade. O convite foi feito por Israel, que participou da oficina com a esposa e a cunhada. Todos eles indígenas venezuelanos que se viram forçados a migrarem para o Brasil, por motivos econômicos e políticos. A participação social por meio dos conselhos locais foi o tema central. O representante dos migrantes dentro na comunidade, Leo Davincy Morales Williams, recebeu do grupo um exemplar da cartilha do Participa +.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa de ir à comunidade é resultado do plano elaborado pelo grupo de que Israel Rodriguez fez parte, como atividade de conclusão da oficina do participa +. O plano criado em sala de aula prevê a realização de rodas de conversa sobre a valorização do SUS como direito humano, com moradores locais, imigrantes, gestores, trabalhadores e gestores. “Faço questão de ser multiplicador do conhecimento que recebi nesta oficina. Este é um compromisso” destacou Israel.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Da sala de aula à prática: a UBS abriu as portas para a oficina&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A técnica em enfermagem Jaciara Costa da Silva, gerente da UBS (Unidade Básica de Saúde) Alaíde do Carmo Bruce Fernandes, em Pacaraima, destacou que mais de 90% dos atendimentos realizados são de imigrantes venezuelanos, tanto aqueles que estão de passagem, que seguem para outras regiões do país, quanto os residentes na cidade brasileira.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por causa do grande fluxo, a UBS mantém uma rotina de atendimento das 7h à meia-noite. Conta com dois médicos de manhã, dois à tarde e um à noite. Alguns deles fazem parte do Programa Mais Médicos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img decoding="async" width="768" height="514" src="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS4-1.png" alt="" class="wp-image-4333" srcset="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS4-1.png 768w, https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS4-1-300x201.png 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Por causa do grande fluxo, UBS mantém rotina de atendimento das 7h à meia-noite &#8211; Foto: Divulgação/CNS</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">“Nosso público-alvo são imigrantes, indígenas e a população de rua. Por sermos uma UBS e, portanto, ligada ao SUS, atendemos a todas as pessoas. E a nossa demanda maior aqui é a imigração. Os nossos desafios são gigantes,” ressaltou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fluxo na fronteira&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais de cinco milhões de venezuelanos estão vivendo no exterior, a grande maioria em países da América Latina e do Caribe. Esta se tornou uma das maiores crises de deslocamento do mundo. Os dados são do Acnur, Agência da ONU para Refugiados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2023, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) reconheceu 77.193 pessoas como refugiadas, sendo que 44,3% das pessoas reconhecidas como refugiadas eram crianças, adolescentes e jovens com até 18 anos de idade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do total, 72% das solicitações apreciadas pelo Conare foram registradas nas unidades da federação que compõem a região norte do Brasil. Roraima concentrou o maior volume de solicitações de refúgio apreciadas pelo Conare em 2023 (51,5%), seguido por Amazonas (14,2%) e São Paulo (7,5%).&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="431" src="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS5.jpg" alt="" class="wp-image-4334" srcset="https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS5.jpg 768w, https://fatorrnoticias.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Participa-Foto-Divulgacao-CNS5-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Na estrutura montada na fronteira, imigrantes venezuelanos recebem orientação jurídica e informações sobre assistência social &#8211; Foto: Divulgação/CNS</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cartão do SUS é prioridade&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os dias, centenas de pessoas continuam cruzando a fronteira com destino ao Brasil. Parte delas para participar da Operação Acolhida, que superou a marca de 125 mil migrantes e refugiados da Venezuela interiorizados pelo Brasil. São pessoas que vivem, atualmente, em 1.026 municípios de todas as regiões do país. Curitiba (PR) e Manaus (AM) são os que somam maior número de beneficiários da ação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa oferece suporte ao deslocamento voluntário, seguro e organizado de populações refugiadas e migrantes, além de buscar novas oportunidades de integração socioeconômica e cultural. O objetivo do governo federal na Operação Acolhida é dar uma resposta humanitária às demandas que chegam ao Brasil pela fronteira com a Venezuela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda na estrutura montada na fronteira, os imigrantes venezuelanos recebem orientação jurídica, informações sobre assistência social além de se cadastrarem no Sistema Único de Saúde e chegaram a receber até sete tipos de vacinas de única vez.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Participa +: Formação para o controle social no SUS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Participa+ é um projeto de Formação para o Controle Social no SUS, que está na sua 4ª edição e tem como objetivo “qualificar a atuação de conselheiras e conselheiros de saúde e lideranças de movimentos sociais através da formação, do fortalecimento institucional e da produção de conhecimento”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de 2024, serão realizadas 82 oficinas de formação, em todos os estados brasileiros;100 rodas de conversa virtuais, abordando diferentes temas; 27 cursos sobre ferramentas virtuais; 27 encontros estaduais sobre práticas de multiplicação; um processo de formação de educadoras e educadores; além de outras atividades que buscam fortalecer o SUS.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Com informações do CNS, Acnur e MDA</em></strong></p>
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