Um venezuelano de 37 anos foi preso nesta quarta-feira (25), no bairro Calungá, em Boa Vista, investigado pela morte de Ricardo José Patino Mora, de 35 anos. O fato ocorreu na madrugada de 25 de janeiro, em Caroebe, no sul de Roraima.
A apuração foi conduzida pela delegacia de São João da Baliza, que cumpriu o mandado de prisão preventiva expedido pela Comarca de São Luiz.
De acordo com a investigação, a vítima estava em frente a uma casa quando o suspeito chegou ao local e iniciou uma conversa relacionada a uma suposta dívida de R$ 1,2 mil. Durante o encontro, ocorreu um disparo que atingiu Ricardo no pescoço.
O filho da vítima, de 13 anos, presenciou o homicídio. Conforme relatos reunidos durante a investigação, ele também teria sido alvo de intimidação.
Ricardo foi socorrido e permaneceu internado, mas morreu dias depois em decorrência da gravidade do ferimento.
Interrogatório
O suspeito foi interrogado na delegacia no dia 19 de fevereiro e declarou que conhecia Ricardo José Patino Mora desde quando ele chegou para morar em Caroebe, vindo da Vila Entre Rios, e o ajudou com trabalhos e diárias. Segundo o depoimento, a vítima solicitou R$ 1,2 mil emprestados, valor que, de acordo com o investigado, nunca foi devolvido.
O homem afirmou que, no dia do crime, estava participando do aniversário da filha de uma conhecida, quando a vítima passou em frente ao local e o chamou para conversar. De acordo com ele, os dois se encontraram em uma rua próxima ao local da festa, onde passaram a discutir sobre a suposta dívida.
Ainda conforme o interrogatório, o investigado disse que Ricardo afirmou que não pagaria o dinheiro e, em seguida, levou a mão à cintura, levantando a camisa, gesto que ele interpretou como se a vítima fosse sacar uma arma. Naquele momento, afirmou que sacou uma pistola calibre .365 e efetuou um disparo contra Ricardo, fugindo logo em seguida.
Ele negou ter ameaçado familiares da vítima, bem como que tenha feito publicações com ameaças em redes sociais. Após o homicídio, o venezuelano passou a se esconder e constituiu advogado para se apresentar à Polícia Civil.
A versão apresentada pelo investigado, no entanto, conforme o delegado, contrasta com relatos de testemunhas, que indicam que ele se aproximou da vítima, cobrou a dívida e atirou. Diante dos elementos reunidos na investigação, foi pedida a prisão preventiva, deferida pelo Poder Judiciário no início desta semana.
“Como tivemos conhecimento de que o suspeito estava em Boa Vista, solicitamos apoio da equipe do Deint [Departamento de Inteligência], que diligenciou até o endereço que indicamos e o prenderam”, disse o delegado.
O homem deve passar por audiência de custódia nesta quinta-feira.



