Um relatório divulgado na sexta-feira (22) pelo Instituto Socioambiental (ISA) aponta redução do desmatamento causado pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, após o pico registrado entre 2021 e 2022. Apesar da queda, o documento alerta que os invasores seguem ativos e têm adotado novas formas de atuação para escapar das operações de fiscalização.
O levantamento foi produzido em parceria com o programa Monitoring of the Andes Amazon Program (MAAP), da Amazon Conservation Association. Segundo o documento, os garimpeiros passaram a operar de forma descentralizada e migraram para áreas próximas à fronteira com a Venezuela.
De acordo com os dados apresentados, a TI Yanomami soma atualmente 5.564 hectares degradados pela atividade garimpeira. Apenas em 2025, foram registrados 45,2 hectares de novos desmatamentos provocados pelo garimpo ilegal.
O número representa quase metade dos 84 hectares registrados em 2024. Ainda assim, o relatório aponta que a abertura contínua de novas áreas demonstra que a atividade criminosa continua presente no território indígena.
Os pesquisadores destacam que, em 2023, após a decretação da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) pelo governo federal, houve redução de 81,6% na expansão do garimpo em relação ao ano anterior. Naquele ano, foram registrados 330 hectares de expansão.
Os dados históricos mostram avanço acelerado da destruição antes das operações federais. Em 2020, a área desmatada chegou a 400 hectares. Em 2021, ultrapassou mil hectares e, em 2022, alcançou aproximadamente 1.800 hectares, maior índice registrado na série monitorada.
O monitoramento é feito mensalmente com interpretação visual de imagens de satélite por especialistas em geoprocessamento. As áreas degradadas são delimitadas por polígonos e revisadas periodicamente para refinamento das informações.
Além do levantamento por satélite, o ISA realizou um sobrevoo em 23 de abril deste ano nas regiões de Ericó, Palimiu, Waikás e Parafuri. As imagens registradas durante a operação confirmaram os pontos de desmatamento identificados no monitoramento remoto.
Em 2025, foram identificados 121 polígonos de novas áreas impactadas pelo garimpo ilegal. Segundo o relatório, 90% desses pontos possuem até um hectare. Os maiores polígonos, com cerca de quatro hectares cada, foram encontrados em Parima e Surucucus, próximos à pista do Feijão Queimado, em Roraima.
O documento aponta ainda que áreas historicamente exploradas, como Alto Catrimani, Médio Uraricoera e Homoxi, aparentam estar relativamente neutralizadas após as operações federais. Em contrapartida, os garimpeiros passaram a espalhar as atividades para regiões menos concentradas.
O Sistema de Alertas da Terra Indígena Yanomami registrou em 2025 pelo menos cinco alertas relacionados à movimentação de aeronaves clandestinas na região de Auaris. Em muitos casos, os voos seguiam em direção à pista do Gaúcho Animal ou para uma pista localizada na cabeceira do rio Aracaçá.
O geógrafo do ISA, Estêvão Senra, afirmou que a valorização internacional do ouro mantém a pressão sobre a Terra Indígena Yanomami.
“Operações de desintrusão são o primeiro passo indispensável, mas sozinhas elas não resolvem o problema estrutural. Sem estratégias de proteção territorial de médio e longo prazo, que envolvam vigilância permanente e melhorias na regulação da cadeia do ouro, há um grande risco de observarmos uma nova onda de invasão num futuro próximo.”
O diretor do MAAP na Amazon Conservation, Matt Finer, afirmou que a redução do garimpo demonstra efeito das ações governamentais, mas alertou para o risco de retorno das invasões.
“Na Terra Indígena Yanomami, o garimpo ilegal atingiu seu pico entre 2021 e 2022, mas caiu significativamente após a grande intervenção do governo brasileiro, iniciada em 2023. No entanto, como observamos recentemente no Peru e na Venezuela, essas ações precisam fazer parte de um esforço contínuo e de longo prazo. Caso contrário, o garimpo ilegal tende a retornar rapidamente.”
Com informações do Instituto Socioambiental



